Entenda motivos para divas pop controlarem discursos e evitarem imprensa - e suas consequências

  • 20/04/2026
(Foto: Reprodução)
Anitta aparece em meio à natureza nas imagens do vídeo-teaser em que revela os nomes das faixas do álbum 'Equilibrium' Reprodução / Vídeo 'X' Anitta A divulgação de um álbum inclui algumas fases-chave. Entre elas, estão a audição do trabalho e a crítica por parte de profissionais especializados. Mas, nos últimos anos, essa fórmula vem passando por transformações. Recentemente, Anitta e Luísa Sonza, duas das maiores estrelas do pop nacional, lançaram álbuns que contaram com raras entrevistas para veículos selecionados a dedo e audições voltadas para fãs. O que esse tipo de atitude diz sobre o movimento de carreira das estrelas do pop? O g1 explica. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Antes de tudo, vale destacar que essa decisão tem inspiração internacional. Avessas a entrevistas, artistas como Beyoncé e Taylor Swift adotaram estratégia semelhante em seus trabalhos mais recentes. No Brasil, esse conceito mais "blindado" vem crescendo entre os principais artistas do gênero. Falando de audições, Anitta apresentou seu novo álbum em uma sala de cinema em Salvador, na Bahia, apenas para fãs. Já Luísa Sonza fez um evento em que, entre os convidados, estavam jornalistas, influenciadores e admiradores da cantora. Essa dinâmica gera distorções. Isso porque: Assim que saem das audições, os fãs soltam suas impressões que, via de regra, são positivas, com muitos elogios e adjetivos; E, para além dos fãs, páginas vinculadas aos artistas, remuneradas ou não, reforçam os elogios. Em contraponto, os textos dos jornalistas não necessariamente vai ser elogioso. E isso não faz dele um hater, que vai ouvir o trabalho de um artista na intenção de falar mal. A ideia principal é que, ao ter contato com a obra, o crítico consiga entender melhor o trabalho e ter uma condição melhor de dialogar com o artista, conseguindo ser o mais honesto possível na sua análise. Luísa Sonza na capa de 'Brutal Paraíso', quinto álbum de estúdio Reprodução A crítica como principal atingida A divulgação do trabalho com esse controle da narrativa tem como principal resultado reduzir o trabalho crítico. Escrever sobre um projeto musical demanda tempo, inclusive, para absorver aquela obra, e entender as referências e caminhos que o artista tentou seguir. Ao evitar o acesso à ele com antecedência sob a prática comum de embargo e oferecer esse trabalho para simpatizantes, os artistas conseguem ter um maior controle sobre o que é dito da sua própria obra. E parte do reforço desse controle também está nas entrevistas – ou na falta delas. Nesse contato com a imprensa, muitas vezes, o artista é questionado sobre seu trabalho criativo e tem sua obra (e, consequentemente, sua vida) destrinchada, com perguntas que podem parecer incômodas. Anitta, por exemplo, barrou o jornal “Folha de S. Paulo" de “eventos e entrevistas coletivas” após se irritar com uma pergunta feita por um jornalista do veículo em 2024. Ao mesmo jornal, Sonza disse: “Não falo mais com quem me critica, falo com quem me aplaude”. E esse movimento de bolha não fica longe da visão dos fãs. Ludmilla, por exemplo, foi criticada no X (antigo Twitter) por não desenvolver melhor seu último álbum, “Fragmentos”. E ela respondeu: “Pessoal, eu tô 100% ciente de que eu devo algumas informações pra vocês, mas muito em breve nós vamos sentar juntos pra eu atualizar vocês!”. À época do lançamento, Ludmilla deu raríssimas entrevistas. Momento, talvez, que poderia ter explorado o que imaginava para o álbum. Initial plugin text Todo artista tem o direito de falar com quem quiser, no momento que achar adequado. Mas a consequência desse movimento de repulsa pelo trabalho da imprensa é uma visão pouco crítica do próprio trabalho. Ter uma visão múltipla da obra e análises que consigam ir além da adjetivação pode mostrar o quão complexo é um trabalho artístico. Não cabe à crítica ofender ou xingar. Mas cabe fazer análises e perguntas que, por vezes, podem desagradar ou incomodar. Fim do mediador Tirar a imprensa do papel de mediador do discurso é algo que, com as redes sociais, se tornou frequente. Mostramos como isso pode ser ruim, mas existem bons exemplos. Anitta, em “EQUILIBRIVM”, publicou um faixa a faixa, explicando a construção de cada uma das músicas. São vídeos curtos, a maioria de até 1min30seg, mas que são bem didáticos. É um grande acerto da cantora que, mesmo sem um contraponto ali, consegue se comunicar direto com o público, seja ele fã ou não, que quer entender melhor seu trabalho. No fim das contas, o importante é espalhar a mensagem da forma mais sincera possível.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2026/04/20/entenda-motivos-para-divas-pop-controlarem-discursos-e-evitarem-imprensa-e-suas-consequencias.ghtml


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